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As escolhas de uma Formiga

September 6, 2007
Era uma vez uma formiga. Uma pequena, preta e asquerosa formiga. Era uma vez um elefante. Um grande, cinzento e esplendoroso elefante. Dois amigos sempre juntos, lado a lado, não sabendo sequer viver um sem o outro. Para onde quer que o elefante fosse a formiga ia atrás, e era, curiosamente, o elefante que escolhia o destino na maioria das vezes.

Mas havia sempre um dia, de tempos a tempos, em que a formiga crescia, se sublevava, batia o pé ao seu amigo elefante e dizia “hoje vamos ali!”.

E eles iam.

O que tem isto a ver com wrestling?

Bem… Absolutamente nada.

A não ser que queiramos entender o elefante como a WWE e a formiga como a TNA…

Ou então o elefante talvez seja uma espécie de John Cena e a formiga uma personificação do Edge.

Numa hipótese algo dúbia o elefante é o Jim Morrison depois de uma droga qualquer experimental e a formiga é o Cm Punk, totalmente straightedge.

Ou então o elefante é o mundo, e a formiga somos nós, incapazes de decidir para onde vamos todos os dias, mas com capacidade para, uma vez por outra, trocar as voltas ao destino. Capacidade de dizer não ou de gritar um sim a plenos pulmões.

Capacidade de fugir, de voltar, de lutar, de viver, de sonhar, de vencer.

E também de perder, de ficar, de decair, de morrer.

Nem todos podemos ser elefantes na vida, toda a gente sabe isso.

Todos podemos ser formigas. Mas é preciso querê-lo. É preciso acreditar em nós, acreditar que podemos mudar o elefante ou até tomar o seu lugar.

O que é que este post tem a ver com este blog?

Talvez nada…

Talvez tudo…

Afinal, nenhum blog nasce com uma média de quatro mil visitas diárias.

Esta ladainha toda porque vos quero dizer adeus.

Mas vou só dizer até já.

Vemo-nos por aí. É garantido.

As escolhas de uma formiga

August 30, 2007
Domingo passado tivemos o suposto segundo maior PPV do ano WWE: O Summerslam. Sei que muitos pegarão nisto pelo que um dia representou e foi, outros tantos falarão dos memoráveis combates que aí ocorreram e das incríveis feuds que aqui começaram e viram o seu término. Isto é tudo muito bonito, mas… Hoje não.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Todo o mundo é feito de mudança,

Buscando sempre novas realidades…”

Ou, se preferirem

“E o que foi não volta a ser

Mesmo que muito se queira,

E querer muito é poder…”

O passado é passado, e o que é presente é presente. Ter saudades do passado e tentar copiar o que de bom nele foi feito é apenas natural, mas há aqui alguém que acredite que a Raw hoje não tem 7 e tal de audiências por Vince não querer? Deixemo-nos de ilusões, existem indicadores claros do sucesso e insucesso de um programa de televisão, de uma empresa e dos seus trabalhadores. Nenhuma empresa abdica de lucro conscientemente e nenhum gestor digno desse nome deixa de ter a melhor relação qualidade/preço nos seus trabalhadores por questões familiares ou de amizade.

Acredito piamente que as decisões tomadas para o Summerslam foram as melhores que a Wwe encontrou para assegurar o maior lucro possível, MESMO NÃO GOSTANDO DELAS ENQUANTO FÃ!

A grande questão que surge disto, e sobre a qual importa reflectir, é se a maior empresa de wrestling do mundo anda a considerar todas as opções e a tomar, portanto, as decisões correctas. Existe em economia o conceito de agentes racionais, ou seja, pressupõe-se (numa esmagadora maioria de modelos) que os agentes (empresas, população, whatever) tomam a melhor decisão possível (e são portanto racionais) com base na informação disponível.

É possível discutir o conceito, mas no caso do wrestling eu acho que existe apenas algumas hipóteses que não andam a chegar acima das mesas dos decisores, alguma informação que se perde no mecanismo.

Acho, sinceramente, que o panorama actual de wrestling não será alterado com a perda de título de Cena, Morrison ou Kahli. Isto para mim está uma chatice, e não será uma alteração pontual e meramente temporal que alterará e resolverá os problemas estruturais do actual estado.

Posto isto: procuram-se soluções.

Uma maior aposta nas divisões tag e cruiser poderá melhorar ou piorar levemente a emoção dos vários programas, mas esta já foi uma aposta da Tna e não os levou propriamente ao topo.

Uma melhoria das storylines e feuds é o caminho apontado por muitos, com resultados mais credíveis e importância focada nos títulos mas…

(e correndo o risco de contradizer crónicas passadas)

Para além da dificuldade em encontrar algo original e fresco num panorama em que tudo parece gasto, exito ainda quanto à qualidade dos performers em conseguir dar o melhor rumo ás ideias que surgem. Não digo que o problema seja só deles, mas é uma questão que convém não por convenientemente de lado…

No entanto, a solução, talvez não definitiva, definitivamente não milagrosa, passa, a meu ver, por uma alteração do modelo competitivo que rege, actualmente, a WWE. (E reparem como nesta bonita frase usei tantas virgulas como o Mário Soares num discurso das presidenciais algo criticado pela quantidade das mesmas [o que demonstra a qualidade da discussão politica neste país].)

Porra, não há maneira mais fácil de pôr tudo a pensar no raio daquela coisa para putos chamada wrestling do que chegar lá o Vince ao raio do programa e já meio cansado depois de uma oração em que ninguém pôs virgulas e que portanto é lida de seguida sem tempo para respirar dizer

“Pessoal, a WWE é uma empresa profissional. O Wrestling é um desporto, admirado por milhões em todo o mundo, capaz de emocionar dos oito aos oitenta. É por isso que a World Wrestling Entertainment tomou a decisão de profissionalizar os seus quadros competitivos! Não mais os candidatos ao título serão escolhidos por acaso, ao gosto do campeão ou do GM da brand! Não mais os fãs esperarão anos até que o seu preferido, o lutador que vence sempre mas nunca passa do mid-card, tenha uma oportunidade pelo título! Nunca mais um campeão da WWE o será sem ter tido primeiro os titulos de tag team e intercontinental! Uma nova era começa hoje! AQUI E AGORA! VIVA A WWE! HIP HIP…” Ok, deixei-me entusiasmar…

Mas o que constitui facto e prova nos tribunais é que uma alteração do modelo competitivo podia ser levada a cabo E surtir efeitos.

Uma coisa tão simples como o candidato ao cinto de campeão mundial ter, primeiro, de ter detido o titulo de tag team e o intercontinental/EUA. Uma coisa intermédia como torneios king of the ring quase consecutivos. Ou algo muito mais sofisticado como uma liga, por pontos, em que apenas os 3 primeiros classificados podem ser candidatos ao titulo principal da promoção, decidindo o lugar num mini-torneio.

Como não posso fazer um desenho, exemplifico.

Imaginem a SD!, a minha menina dos olhos de ouro seja quem for o campeão.

O kahli é o actual campeão e está, logicamente, excluído da liga.

Depois dele, têm o maior número de pontos, imaginemos, o MVP, o Matt Hardy e o Batista. Sim, porque o Edge e o Undertaker estão lesionados, e quando voltarem começam do zero, tal como o Rey que entrou agora no summerslam.

Ora, antes do próximo PPV eles os três teriam de decidir o number one contender entre si. De formas diversas: Uma triple threat, combates individuais entre os três, quem ganhar em menos tempo ao campeão, sei lá… Mas só estes três é que podem ser candidatos. O Rey, se quiser lá chegar, tem de subir primeiro na classificação…

Para o titulo dos EUA podem ser candidatos os três seguintes, para os cruisers apenas os três primeiros de uma liga à parte (e reparem como isto permite criar uma liga cruiser) e para as tag teams também uma liga à parte (ena, críamos também uma liga tag!).

Porra, isto parece-me interessante. Principalmente se, de repente, todos os contadores fossem a zero! Era o mesmo que dizermos ao cody rhodes que, com um bocado de sorte e meia duzia de vitórias seguidas podia enfrentar o cena no próximo PPV.

Era o mesmo que dizermos que o que importa é subir na classificação a qualquer custo para alcançar então o almejado título.

É claro que isto obrigava a um sistema de pontuações bastante claro e imutável, de modo a que as coisas tivessem regras e fossem credíveis. O que segundo parece até é um dos problemas do wrestling actual…

O que me leva a crer que passei os últimos minutos a sonhar.

Paciência…

Notas Finais:

- Diário económico de terça-feira transcrito de forma livre – A cabovisão e a tv cabo estão em negociações com a NBC para a transmissão em Portugal dos canais Sci-Fi e (não me lembro do raio do nome, mas também não interessa).

Ora, mas a Sci-Fi transmite a Ecw! Portanto, se se mantivesse a grelha, noves fora… Será que nos dão ECW em directo? Era catita :)

As escolhas de uma Formiga

August 15, 2007
Isto é uma espécie de desespero – Uma estória de terror escrita por Formiga

A chuva batia forte nas janelas fechadas da mansão McMahon. A fria noite de céu escuro não convidava a passeios e por isso toda a família se tinha juntado, após o jantar, perto da lareira da sala de estar discutindo o futuro da empresa de Wrestling por eles detida, conhecida entre nós mortais por WWE.
Vince, o chefe da família, tinha recebido nesse dia notícias inquietantes. O campeão de uma das três brands por eles gerida estava lesionado e os substitutos à disposição eram escassos. Alguma coisa tinha de ser feita… Mas o quê?
- O Adam lesionou-se pessoal. É preciso ter um azar dos diabos… Era o melhor heel…
- Caham – pirragueou outro membro da família, um sujeito encorpado e de barba por fazer chamado Paul Levesque, cunhado de Vince.
- Era o segundo melhor heel da empresa neste momento! Sinceramente não sei o que fazer… Já pensei em voltar a mudar o kennedy por qualquer motivo estúpido e dar-lhe o título. Os fãs gostam dele, nem iam ligar à irracionalidade disto e…
- Desculpa papá mas acho isso estúpido – disse Stephanie McMahon, filha de Vince – afinal, se este ano decidimos apostar na credibilidade não é para metermos agora os pés pelas mãos! Creio que não devíamos mudar ninguém de brand e apostar num campeão da casa…
- Ora, não me vais dizer que o Flair ainda é credível! Eu bem tentei falar com o Kane, mas ele está irredutível naquela ideia parva de elevar os mais novos. Diz para darmos o título a outro… E nem pensem que o vou pôr nas mãos do Batista outra vez! Esse por enquanto já deu o que tinha a dar…
- Ninguém falou de nenhum deles papá! Estava a pensar no Kahli…
- Mas tu és louca? – Agora era Shane, o filho mais novo do clã que falava – O homem nem sabe lutar! Até eu me mexo mais dentro de um ringue do que ele!
- Ora… Cala-te! Se percebesses alguma coisa de criatividade não era eu que estava a mandar naquilo! O kahli é credível, só perdeu para o Taker e para o Cena. Não sabe lutar, é certo, mas aos olhos dos marks ele é praticamente invencível, e isso é o que interessa!
- Desculpa Stephanie mas acho que o teu irmão tem razão. O público não ia aceitar um gajo que não sabe nem lutar nem falar como campeão. Sinceramente não sei o que fazer…
- Desculpe sogro, mas se me é permitida a intromissão, acho que a ideia da Stephanie até é a melhor coisa que se pode fazer neste momento…
- Já cá faltava o mosquito…
- O quê cunhado? – Disse Levesque enquanto acariciava um pequeno martelo que trazia pendurado no seu cinto de utilidades.
- Nada, nada hunterzinho… Por favor, continua, diz-nos que maravilhosas ideias te assolam essa cabecinha loira.
- Bem… Como eu estava a dizer… Fazermos do Kahli campeão é o mais credível que podemos arranjar no momento! Além disso permite-nos escolher outro campeão com calma e torná-lo forte desde o inicio… Quanto ás possíveis reclamações do público… Basta arranjarmos umas boas feuds para eles se entreterem e mais uma ou outra coisa que lhes retire a atenção do campeão e pronto, está feito! Dois meses de programação feitos sem trabalhinho nenhum.
- “Umas boas feuds” diz ele, “uma ou outra coisa que os distraia”… Até parece que é assim tão fácil. Porque não avanças com sugestões se te sentes assim tão cheio delas? – Reclamou Vince, meio irritado por não ter tido aquela ideia, meio curioso com a possibilidade de se safar daquela situação.
- Bem, à partida estava a pensar num Kane contra Finlay… Acho que tem bastante potencial e os nossos fãs mais velhos iam adorar.
- Isso, isso! – Alegrou-se Stephanie – E podíamos arranjar também uma coisita em que elevássemos o Matt Hardy, afinal as pessoas adoram-no! Aposto que se esqueciam logo do campeão!
- Meu deus! – Protestou Shane – Tanta ideia parva! Só falta sugerir o hornswoggle para campeão da divisão cruiser! Por amor de deus, tenham pena de mim!
Um silêncio sepulcral caiu na sala. Todos se olhavam entre si com uma cara de pasmo. Levesque preparava-se até para pegar no martelo quando Vince exclamou
- AH GRANDE FILHO! Sangue do meu sangue! Grande ideia! É isso mesmo que vamos fazer! Pomos o anão a campeão e as pessoas riem-se. Fazemos um… MVP contra Hardy e um Kane contra Finlay e os mais velhos adoram-nos! E todos se esquecem daquele pequeno pormenor que é o Kahli… Está feito.
- Hã… Meninos? – Era Linda McMahon, mulher de Vince, que falava por detrás de uma bandeja cheia de cafés que tinha estado a preparar – E o que é que acontece quando o Taker e o Edge, que estão lesionados, voltarem? Quer dizer… O Rey agora feuda com o Chavo, já tínhamos discutido isso, depois vai atrás de sei lá eu quem… Mas é óbvio que não lhe vamos dar o título! Ora, o Taker, quando voltar, vai precisar de alguém com quem lutar e parece-me que vocês estão a ocupar todas as possíveis escolhas…
- Exacto minhas bestas! Obrigado querida, era mesmo isso que eu ia dizer a seguir… Com quem é que pomos o Taker? HÃ? Onde é que estão essas ideias de génio agora?
- Papá… Temos montes de hipóteses… – Era Stephanie quem tentava defender o seu ponto de vista – Olha, podemos pô-lo, por exemplo, a destruir a divisão cruiser até termos lugar para ele no main event…
- Já usámos isso com o Kahli e com o Henry. – Contra-argumentou Shane, algo furioso por ninguém lhe dar ouvidos…
- Então, podemos sempre pô-lo a lutar com alguém como o Henry! – Afirmou um exultante Paul Levesque.
- Só é pena já o termos feito na wrestlemania passada e os fãs não terem propriamente gostado… – Acrescentou Shane.
- Estás a reclamar da minha ideia miúdo? – Gritou Paul, visivelmente chateado.
- Eu? Não, não! Papá, por mim está feito… Vamos a isto!
- Então que seja! Linda, traz o champanhe… A Smackdown dos próximos meses vai ser maravilhosa graças a esta noite!
- Isso papá, isso! – Disseram ambos os irmãos McMahon.

Segundo relatos dos enviados especiais dos sites de Wrestling que assistiram pela janela a este encontro, a chuva caiu com mais intensidade e a noite ficou mais escura quando a família McMahon tomou o seu champanhe e soltou em uníssono um riso maquiavélico. O mundo ia entrar numa nova idade das trevas… E tudo por causa daquela reunião.

………………………….

Notas finais:

- A X division não acabou! Eu sabia que ir a Fátima a pé tinha de resultar…

- O Angle tem os títulos todos da Tna. Todos mesmo… Acho que nem o Hogan conseguiu isto na WWE/WCW.

- A boa construção que estava a haver na Raw para o Summerslam acabou. Aqui há duas semanas fiz um post sobre a importância dos títulos. Este é um dos motivos pelos quais parece que ser campeão da WWE é o mesmo que ser campeão do campeonato de comida de cachorros de Chicago: o foco do show não está no título mas sim em outras coisas. O Vince tem um filho bastardo? Fixe! Mas é preciso perdermos tanto tempo com isso? É mesmo preciso que seja o ponto principal da Raw?

- TVI: 9 da manhã?? A um sábado? Mas estão a gozar comigo???

As escolhas de uma Formiga

August 9, 2007
Devo admitir que ao longo dos últimos sete dias uma ideia se pegou à minha cabeça e não mais de lá saiu. Formou-se, fermentou, e de lá ia primeiro murmurando em voz maviosa e depois gritando a plenos pulmões: “Concretiza-me”, “Publica-me”, “Dá-me vida”.
Como verão mais à frente, conseguiu mais misticismo enquanto me enchia o cérebro do que exactamente posta em linhas cheias de letras.
E o raio da ideia era fazer uma equipa de futebol com jogadores de wrestling! Com os diabos… É que quando começo a pensar nisso existem características muito especificas em cada posição do relvado que se adequam, devido ás características de cada um, perfeitamente a determinado wrestler.
E quem pega nisto e começa a pensar só acaba mesmo com a equipa feita. Portanto, e de trás para a frente, num sistema de 4-4-2 clássico com dois alas, um trinco e um organizador de jogo, temos:
O Guarda-Redes:
A um guarda-redes pede-se o básico: Que saiba defender. Mas para saber defender são precisas em grande medida três qualidades. Bons reflexos, grande agilidade, e um bom jogo de mãos (cof cof patos do moretto). Qualquer high flyer parece ter estas qualidades, mas eu quero o melhor de todos para a minha baliza, afinal, é ele que vai impedir a equipa do striker de me marcar golos. A minha primeira opção seria, sem dúvida Rey mysterio, mas infelizmente tem um pequeno inconveniente para ser guarda-redes… Do alto do seu metro e sessenta e três acaba por ser… Pequeno demais. A minha escolha recai então no Fallen Angel Christopher Daniels, que para além da boa conjunção das qualidades exigidas é também um dos high flyers mais altos de que me recordo.
Laterais:
Nesta posição brilhou, no meu benfica, o grande… Miguel. Ok, se calhar não é assim tão grande, mas o que é certo é que foi desta posição que ele lançou alguns ataques letais para as defesas adversárias. Para mim é importante que os laterais façam toda a linha, portanto tem de ser alguém rápido, mas detentor de boa técnica a atacar e no toque de bola, assim como boa capacidade de desarme e marcação. Parece-me que existem dois wrestlers com as capacidades ideais para estas posições. Entenderem-se sobre quem joga à esquerda e à direita fica como TPC de Paul London e AJ Styles.

Centrais:

Uma dupla de centrais tem de se completar. A meu ver, junta-se o útil ao agradável e tem-se a dupla de centrais perfeita, sendo que o útil é aquele gajo que manda a sua canelada (mas com gentileza e enquanto o árbitro não vê) quando é preciso, e o agradável é aquele gajo que sai com a bola jogavel em vez do clássico pontapé prá frente. É desejável que um dos centrais seja mais rápido para acompanhar eventuais opositores que apostem nessas características, para além das clássicas capacidades de desarme, marcação e da aptidão natural que é a altura de cada um. A meu ver, o exemplo ideal do campeonato português que combina estas características é o david luis e o luisão (slb). Não formam a melhor dupla de centrais, mas têm capacidade para isso. No wrestling, o meu luisão (mais agressivo, com menos capacidades técnicas, mas bom no desarme e na marcação) seria o John Cena. Não me perguntem porquê, mas acho que ele se desenrascava bem… Já o meu David Luís (menos rápido, é certo, mas com ainda melhor técnica) seria… Samoa Joe.

É certo que Joe não é muito alto. E mesmo a rapidez deixa algo a desejar… Mas é gajo para por uma defesa na linha, para sair a jogar sem medo e para dar confiança ao resto da equipa. Uma espécie de Jorge Costa nos seus melhores tempos…

Trinco:

O meu ponto de referência aqui é o Makelele, no caso português o Miguel Veloso. Bons no desarme, tratam bem a bola e mandam naquela zona do terreno. São velozes e sabem quando devem fazer uma simples falta ou partir logo a canela. Com estas características só consigo mesmo pensar em MISTERRRRRRR KENNEDY!!

(Cheguei agora à conclusão de que a estrutura que estava a utilizar, a do benfica, é pouco ortodoxa e ao invés de contemplar dois alas tem apenas um, sendo o outro o número dez mais descaído para uma ala. Eu vou usar esta porque me dá jeito a comparação com o Rui Costa e com o Simão… Se lá para o fim arranjar melhor treinador que o Fernando Santos pode ser que até resulte…).

KENNEDYYYYYY

Médio centro, box to box, whatever:

No benfica chama-se Manuel Fernandes ou Katsouranis. No Sporting Moutinho. No Porto é um Lucho. Nos estados unidos seria um faz tudo e, por isso, um autentico MVP (Most Valuable Player – Jogador mais valioso).

E se formos a ver, o Montel tem mesmo qualidade para isso… A Barriga ainda não é muito grande, a técnica qb, o remate de meia distância a melhorar (leia-se mic skills)…

7:

Ele chama-se Simão. Ele chama-se Cristiano Ronaldo. Ele chama-se Figo. Ele é mágico. Ele arranca aplausos só por mexer o pé. Para mim chama-se Edge E MAI NADA!!!!!

10:

Não tem de ser necessáriamente rápido. Mas tem de ter uma técnica fenomenal, uma visão de jogo fora de série e humildade qb (para dar os golos a marcar em vez de rematar logo). Rui costa? Zidane? Anderson? Nahhhh! No banco das lesões está o Undertaker, mas preparem-se, porque quando voltar o lugar é dele.

Avançado (Vulgo gajo que joga atrás do ponta de lança, aka João pinto, aka Miccoli):

Portanto… Tem de ser rápido, agir sem que ninguém o veja, pegar na bola, furar pelo meio de tudo e marcar golo. Resumindo: Lutar contra tudo e contra todos, abrir espaço para a estrela da companhia e de vez em quando ainda marcar uns golinhos.

Chama-se à recepção o Randy Orton!

Ponta de Lança:

É chegar e encostar. Conheço um gajo que depois de quebrar a keyfabe pegou na filha do patrão marcou praí uns onze golos e só agora é que se começa a ver como foram.
HHH, jogas mas deixas a marreta cá fora.

Treinador:

Uma equipa só funciona com um bom treinador. Veja-se o contra-exemplo: Benfica com Fernando Santos. Se fosse sócio ou tivesse cativo adoptava a politica do Bola na rede B. Juro.

O treinador desta equipa maravilha só podia ser um… Ric Flair. Ensina-lhes moço ;)
Notas finais:
- A sério que acho que a WWE até estava no bom caminho… Feuds mais ou menos decentes e bem construidas… Mas parece-me que a ultima segunda-feira estragou tudo. Parece-me porque ainda nem vi o show…Tal é o entusiasmo.
- A Tna contratou um jogador de futebol norte-americano. E parece que ele vai lutar. E parece que lhe vão dar os titulos de tag-team. Isto lembra-me o desespero do fim da WCW… É só a mim?

As escolhas de uma Formiga

August 9, 2007
Devo admitir que ao longo dos últimos sete dias uma ideia se pegou à minha cabeça e não mais de lá saiu. Formou-se, fermentou, e de lá ia primeiro murmurando em voz maviosa e depois gritando a plenos pulmões: “Concretiza-me”, “Publica-me”, “Dá-me vida”.
Como verão mais à frente, conseguiu mais misticismo enquanto me enchia o cérebro do que exactamente posta em linhas cheias de letras.
E o raio da ideia era fazer uma equipa de futebol com jogadores de wrestling! Com os diabos… É que quando começo a pensar nisso existem características muito especificas em cada posição do relvado que se adequam, devido ás características de cada um, perfeitamente a determinado wrestler.
E quem pega nisto e começa a pensar só acaba mesmo com a equipa feita. Portanto, e de trás para a frente, num sistema de 4-4-2 clássico com dois alas, um trinco e um organizador de jogo, temos:
O Guarda-Redes:
A um guarda-redes pede-se o básico: Que saiba defender. Mas para saber defender são precisas em grande medida três qualidades. Bons reflexos, grande agilidade, e um bom jogo de mãos (cof cof patos do moretto). Qualquer high flyer parece ter estas qualidades, mas eu quero o melhor de todos para a minha baliza, afinal, é ele que vai impedir a equipa do striker de me marcar golos. A minha primeira opção seria, sem dúvida Rey mysterio, mas infelizmente tem um pequeno inconveniente para ser guarda-redes… Do alto do seu metro e sessenta e três acaba por ser… Pequeno demais. A minha escolha recai então no Fallen Angel Christopher Daniels, que para além da boa conjunção das qualidades exigidas é também um dos high flyers mais altos de que me recordo.
Laterais:
Nesta posição brilhou, no meu benfica, o grande… Miguel. Ok, se calhar não é assim tão grande, mas o que é certo é que foi desta posição que ele lançou alguns ataques letais para as defesas adversárias. Para mim é importante que os laterais façam toda a linha, portanto tem de ser alguém rápido, mas detentor de boa técnica a atacar e no toque de bola, assim como boa capacidade de desarme e marcação. Parece-me que existem dois wrestlers com as capacidades ideais para estas posições. Entenderem-se sobre quem joga à esquerda e à direita fica como TPC de Paul London e AJ Styles.

Centrais:

Uma dupla de centrais tem de se completar. A meu ver, junta-se o útil ao agradável e tem-se a dupla de centrais perfeita, sendo que o útil é aquele gajo que manda a sua canelada (mas com gentileza e enquanto o árbitro não vê) quando é preciso, e o agradável é aquele gajo que sai com a bola jogavel em vez do clássico pontapé prá frente. É desejável que um dos centrais seja mais rápido para acompanhar eventuais opositores que apostem nessas características, para além das clássicas capacidades de desarme, marcação e da aptidão natural que é a altura de cada um. A meu ver, o exemplo ideal do campeonato português que combina estas características é o david luis e o luisão (slb). Não formam a melhor dupla de centrais, mas têm capacidade para isso. No wrestling, o meu luisão (mais agressivo, com menos capacidades técnicas, mas bom no desarme e na marcação) seria o John Cena. Não me perguntem porquê, mas acho que ele se desenrascava bem… Já o meu David Luís (menos rápido, é certo, mas com ainda melhor técnica) seria… Samoa Joe.

É certo que Joe não é muito alto. E mesmo a rapidez deixa algo a desejar… Mas é gajo para por uma defesa na linha, para sair a jogar sem medo e para dar confiança ao resto da equipa. Uma espécie de Jorge Costa nos seus melhores tempos…

Trinco:

O meu ponto de referência aqui é o Makelele, no caso português o Miguel Veloso. Bons no desarme, tratam bem a bola e mandam naquela zona do terreno. São velozes e sabem quando devem fazer uma simples falta ou partir logo a canela. Com estas características só consigo mesmo pensar em MISTERRRRRRR KENNEDY!!

(Cheguei agora à conclusão de que a estrutura que estava a utilizar, a do benfica, é pouco ortodoxa e ao invés de contemplar dois alas tem apenas um, sendo o outro o número dez mais descaído para uma ala. Eu vou usar esta porque me dá jeito a comparação com o Rui Costa e com o Simão… Se lá para o fim arranjar melhor treinador que o Fernando Santos pode ser que até resulte…).

KENNEDYYYYYY

Médio centro, box to box, whatever:

No benfica chama-se Manuel Fernandes ou Katsouranis. No Sporting Moutinho. No Porto é um Lucho. Nos estados unidos seria um faz tudo e, por isso, um autentico MVP (Most Valuable Player – Jogador mais valioso).

E se formos a ver, o Montel tem mesmo qualidade para isso… A Barriga ainda não é muito grande, a técnica qb, o remate de meia distância a melhorar (leia-se mic skills)…

7:

Ele chama-se Simão. Ele chama-se Cristiano Ronaldo. Ele chama-se Figo. Ele é mágico. Ele arranca aplausos só por mexer o pé. Para mim chama-se Edge E MAI NADA!!!!!

10:

Não tem de ser necessáriamente rápido. Mas tem de ter uma técnica fenomenal, uma visão de jogo fora de série e humildade qb (para dar os golos a marcar em vez de rematar logo). Rui costa? Zidane? Anderson? Nahhhh! No banco das lesões está o Undertaker, mas preparem-se, porque quando voltar o lugar é dele.

Avançado (Vulgo gajo que joga atrás do ponta de lança, aka João pinto, aka Miccoli):

Portanto… Tem de ser rápido, agir sem que ninguém o veja, pegar na bola, furar pelo meio de tudo e marcar golo. Resumindo: Lutar contra tudo e contra todos, abrir espaço para a estrela da companhia e de vez em quando ainda marcar uns golinhos.

Chama-se à recepção o Randy Orton!

Ponta de Lança:

É chegar e encostar. Conheço um gajo que depois de quebrar a keyfabe pegou na filha do patrão marcou praí uns onze golos e só agora é que se começa a ver como foram.
HHH, jogas mas deixas a marreta cá fora.

Treinador:

Uma equipa só funciona com um bom treinador. Veja-se o contra-exemplo: Benfica com Fernando Santos. Se fosse sócio ou tivesse cativo adoptava a politica do Bola na rede B. Juro.

O treinador desta equipa maravilha só podia ser um… Ric Flair. Ensina-lhes moço ;)
Notas finais:
- A sério que acho que a WWE até estava no bom caminho… Feuds mais ou menos decentes e bem construidas… Mas parece-me que a ultima segunda-feira estragou tudo. Parece-me porque ainda nem vi o show…Tal é o entusiasmo.
- A Tna contratou um jogador de futebol norte-americano. E parece que ele vai lutar. E parece que lhe vão dar os titulos de tag-team. Isto lembra-me o desespero do fim da WCW… É só a mim?

As escolhas de uma Formiga

August 2, 2007

Acontece aos melhores. Esquecemo-nos das limitações dos outros e passamos pela vida como se fossemos os únicos seres à face da terra, preocupando-nos connosco e pouco mais.
Acontece a todos os cronistas deste blog. Todos nos esquecemos de que nem toda a gente que nos visita vai diariamente ao wrestling observer ou ao PW insider informar-se e ler uma ou outra crónica.
E com isto muita coisa vos passa ao lado. Não digo que não percebam o assunto em si, ou que não percebam o seu conteúdo geral, mas escapam os detalhes. É natural. Absolutamente natural. É por isso que hoje vou tentar contornar uma dessas possíveis lacunas.

Hoje vamos falar de esteróides, drogas no geral, wrestling e a morte da família Benoit no particular.

Como toda a gente sabe, trabalhar nesta área enquanto lutador, em especial na WWE, é coisa para arrasar um gajo por mais forte que ele seja. Meus amigos, podemos ser genros, filhos ou até mesmo os próprios patrões… Andar na estrada, fazer house shows, manter a forma, lidar com os fãs, viajar constantemente, ver a família quase de mês a mês é coisa para dar cabo de qualquer um física e psicologicamente. Não me venham com tretas, até o Kahli, o Henry e o Viscera merecem o meu reconhecimento e respeito só por andarem metidos nesta vida. Todos os wrestlers meus amigos, TODOS, andam sabe-se lá quantas horas de carro de dia para dia, só para chegarem ao house show seguinte. Andam de carro porque querem poupar dinheiro, dinheiro que, quando se reformarem cedissimo pelas mazelas que transportam no corpo, lhes irá fazer falta, dado que as reformas nos EUA representam pouco ou nada enquanto garantia de futuro (o sistema é diferente do nosso, não há cá sistemas de saúde gratuitos nem reformas garantidas).

Imaginem-se wrestlers.

Imaginem-se a sair de uma raw em que acabaram de cair de uma escada e saberem que têm de enfrentar cinco horas a conduzir para chegar à cidade onde se vai realizar o house show do dia seguinte, sendo que isso vai implicar conduzirem cheios de sono e dormirem umas três horas, porque no dia a seguir têm de assinar autógrafos, ir ao ginásio e preparar o combate do dito house show. É apenas natural que alguns wrestlers se sintam tentados a usar substâncias para lhes facilitar a vida…

Esteróides poupar-vos-iam horas de ginásio, preciosas para dar descanso ao corpo e estar com a família, já para não falar da rápida subida na consideração do tio Vince.

Anti-depressivos faziam-vos esquecer o facto de andarem à meses a servir de jobbers para o Mark Henry, Batista e até para o raio do John Morrison que foi do mid card até ao main event num TGV mais rápido do que o do Lashley.

E por último, mas não menos importante, os benditos vicodins desta vida, medicamentos capazes de vos fazerem esquecer até a dor de uma perna mal operada.

É preciso alguém ter uma vontade de ferro para resistir a tudo isto e ainda assim manter-se neste mundo. Alguns fazem-no. A maioria não. Só posso admirar ainda mais os wrestleres que conseguem passar sem ajudas, mas isso não me retira o respeito pelos restantes.

A WWE tem no entanto uma política anti-drogas. Leram bem, a empresa cujos empregados lutam quase diariamente e enfrentam dificuldades inúmeras tem uma politica contra as substâncias que os podem ajudar a manter-se e a chegarem ao topo.
Mais uma vez, nada posso argumentar contra isto. A WWE é uma empresa de entretenimento, que cria exemplos para os mais novos e susceptiveis e que não se pode por isso compadecer com condutas menos próprias por parte dos seus empregados.

Não se pode compadecer? Bem… Isto não é bem assim.

Qualquer wrestler pode tomar quaisquer substâncias desde que as mesmas tenham sido prescritas por um médico. E não existe grande controlo à volta disto, é mais ou menos chegar ao dia do controlo surpresa e apresentar papéis do doutor homer simpson que prescrevem determinadas substâncias supostamente proibidas e voilá, está tudo ok.
E é aqui que a coisa falha… Porque não está tudo bem. A empresa continua a não dar grande exemplo aos mais novos, e os wrestlers continuam a matar-se no longo prazo para sofrerem menos no curto.

Mas que pode a WWE fazer? Suspender oitenta por cento do roster?

E até que ponto tem um wrestler direito a tomar as substâncias que bem entender? A por a sua vida e a de outros em risco?

Sim, porque foram estas as questões levantadas depois da morte de Chris Benoit. Tenham sido postas de uma maneira ou de outra, elas passaram pela cabeça de quase todos os americanos e resumem-se a um dilema: Como evitar a morte continua dos nossos artistas preferidos?

(Nota intermédia: Isto surge do facto de, apesar de não existirem provas nenhuma neste sentido, o duplo homicídio seguido de suicídio ter sido associado pela maioria das pessoas ao abuso de substâncias ilegais por parte de Benoit. Pessoalmente discordo desta opinião em particular… Não sei quantos de vocês tiveram oportunidade de acompanhar as noticias dá semana passada, mas aqui em Portugal um empresário da construção civil também matou a família suicidando-se de seguida… E não tomava esteróides, nem vicodin… Quanto muito anti-depressivos.)

Esta situação levou, entre outras consequências, à intervenção do congresso norte-americano, preparando-se o mesmo para analisar os ditos controlos efectuados pela WWE aos seus trabalhadores.

Não há soluções fáceis aqui. A WWE poderia reduzir o número de house shows que os wrestlers continuariam a tomar as ditas substâncias. O controlo podia tornar-se mais apertado, mas aí a empresa poderia ver-se obrigada a abdicar de grande parte do roster e de um grande número de main-eventers o que é, convenhamos, impensável.

No entanto, o problema dos esteróides mantém-se. Apesar de não podermos averiguar a verdadeira extensão das consequências, especula-se que a onda de lesões que assola a WWE possa ser fruto do (ab)uso dos mesmo e que mesmo a morte de Eddie Guerrero poderá ter sido causada pelo uso dos mesmos (ele só abandonou a bebida e as drogas como a cocaína, este tipo de substâncias ter-se-á, ao que parece, mantido).

Não se pense no entanto que este é um problema que apenas tem de preocupar Vince McMahon. É preciso não esquecer o caso Kurt Angle, entre outros. Só que a WWE é a empresa main-stream nesta área, daí estar no centro da polémica neste momento… No entanto, a preocupação devia ser de todos, por todos.

Notas finais:

- A raw desta semana teve uma rating de 2.5, a pior da última DÉCADA! É qualquer coisa de absurdo, e não me venham com a estória de que tem a ver com o Benoit…

- A Tna está com um roster demasiado grande. Nem estou a comentar a qualidade dos shows, apenas o tamanho do roster que mesmo para um programa de duas horas é enorme. A continuarem assim rebentam mais depressa que o Test, que está cheio de… Estéróides.

- Vou traduzir aqui uma passagem de uma crónica do wrestling observer que considero de especial bom gosto: “A lista de campeões mundiais da Ring Of Honor tem apenas nove nomes. Nove nomes em cinco anos é uma prova do excelente booking e inquestionável talento que deteve o cinto.”

- Parece que estava a adivinhar… Bastou começarem a dizer que o Jeff merecia uma oportunidade pelo título para acontecer isto… Resta saber se foi mesmo uma lesão ou se não voltámos às drogas… Uma notícia triste para qualquer fã.

As escolhas de uma formiga

July 26, 2007
Boa tarde pessoal… Ia agora começar a escrever a crónica e, link puxa link como conversa puxa conversa, fui ter aos 60 e tal comentários, a maior parte na língua dos nossos antigos aliados, do post da Rute com os vídeos da Raw. Li a coisa por alto. Deixo aqui os parabéns à Rute pelo trabalho (eu com a treta dos limites estou lixado seja de que maneira for), mas o que me chamou mesmo a atenção foi aquele comentáriozinho do Talionis em relação a possíveis novos conteúdos numa língua mais falada do que o Esperanto(que, para quem não sabe, é a suposta língua universal). É um assunto que já me tinha feito dar voltas à cabeça… Escreve-se melhor aqui do que nalguns sites da especialidade, e o sucesso que temos tido por cá só justifica um possível alargamento, mas não vejo bem como. Em primeiro, pedir a todos os cronistas que escrevam duas crónicas (ou arranjar alguém que as traduza) tem dois problemas: o tempo e o conhecimento de cada um para o fazer. Escrevê-las apenas em inglês está absolutamente fora de questão – podemos ser a sétima língua mais falada do mundo mas já o Gabriel o Pensador dizia que a palavra Saudade só existe em Português, e isso no wrestling ainda é coisa para ser usada uma série de vezes… Portanto não vejo mesmo do que falará o Talionis (talvez das noticias, mas, mais uma vez, se levantam as mesmas questões), pelo que estou com a pulga atrás da orelha e na expectativa quanto ao futuro próximo.

Posto isto, passemos ao wrestling.
Gostava de vos dizer a todos e em primeira mão que o Cena está para perder o titulo, provavelmente já no summerslam, em favor do Orton. Sim, eu sei que já tinha aparecido a noticia. Sim, eu sei que no nosso lado mark todos queremos acreditar que isto é verdade. Mas agora existem factos que suportam e indiciam isto. Que é como quem diz: “Então a suposta feud do século que era o Lashley contra o Cena dura um mês e pronto?”. Para isto existe uma única explicação: Vince & Cia aperceberam-se finalmente de que o homem ainda está verde para campeão mundial, que não sabe falar, e que sendo assim mais vale tirar o cinto ao cena de outra forma e pô-lo noutros ombros. Toda a gente sabe que na WWE os planos mudam à velocidade do som (O Vince diz aos bookers que quer o Edge a ganhar consecutivamente ao Cena, e, qual jogo do telefone estragado, eles ouvem mal e fazem ao contrário). Acrescentemos a isso o caso Benoit e percebe-se como é que a WWE avança com uma feud supostamente histórica para durar um mês e acabar sem honra nem glória num PPV de menor importância.
Sinceramente, escapam-me as origens e as razões deste booking. A única hipótese que me parece viável é que a direcção da empresa anda, com esta nova geração de wrestlers, a apalpar terreno. Têm provavelmente medo de novos casos como o de Orton, campeão demasiado cedo e depois foi o que se tem visto. Aliás, se formos a ver bem, Edge teve de estar na empresa para aí seis ou sete anos antes de entrar para o Main Event… E para mim o Edge é o melhor que lá anda! Portanto, é de esperar que casos como o de Carlito ou Punk tenham a mesma evolução…
Mas… Então o Umaga, Kahli, Lashley, John Morrison são exemplos do quê? Qual é afinal a politica da WWE na escolha das estrelas? Para uma empresa cotada em bolsa isto parece-me um bocado ao sabor do vento… E o sabor do vento ás vezes é um bocado amargo. Falta ali um fio condutor! Se eu for um wrestler o que tenho de fazer para chegar ao topo? Lutar bem claramente não chega (Eugene, Matt Hardy)… Ou será que sim (Lashley)? Será que é por ser grande e tomar esteróides (Kahli, Lashley) ou isso é um contra (Mark Henry, Chris Masters)? Será que basta falar bem (Edge, Cena) ou também não chega (CM punk, Carlito, Christian nos seus tempos de wwe)?
Qual é afinal a credibilidade das escolhas desta empresa cujo principal objectivo é contar estórias?

Ainda no outro dia estava a ler esta coluna do wrestling observer que compara o booking de antigamente com o actual e a conclusão do autor vem exactamente de encontro à minha: Algo vai muito mal na criatividade da maior empresa de wrestling do mundo (eu bem grito isto a plenos pulmões a ver se eles me contratam). Só que ao contrário dele, que defende que é praticamente obrigatório termos um Face contra um Heel para termos uma boa feud, eu defendo que é preciso uma boa estória e dois wrestlers com boas mic skills para criar o interesse do público – mas nos últimos tempos as boas estórias têm ficado na rua e os wrestlers com más mic skills… Bem, têm sido campeões…
Uma das coisas com que concordo nesse artigo é o pouco valor dado actualmente aos cintos. Quer pelo facto de serem três, quer pelo facto de hoje em dia as estórias se centrarem mais nas personagens do que nos cintos, eles perderam a importância que tinha… E se amanhã o Carlito vencesse o Cena e conquistasse o cinto da WWE, ninguém se chateava muito. Aliás, muitos rejubilariam… Mas então como valorizar o cinto? Como é que voltamos àqueles tempos idos em que a afirmação de um wrestler não era vencer o Trips, o Cena e o Lashley mas sim conquistar aquele almejado cintinho nem que ele estivesse na mão do Mark Henry e fosse preciso levantá-lo a 5 metros de altura para o conseguir?

Bem, uma opção é a que lá está escrita… O Cena que passe os próximos nove meses a lutar pelo titulo, mas sem o ter nunca, que isso valoriza-o. É claro que farto de ver o Cena no main-event estou eu, mas isso devo ser só eu…

A outra opção, e tenho para mim que é a melhor, é um wrestler só poder ser candidato ao titulo depois de estar consolidado no main-event, ao invés de ganhar essa fama a lutar pelo cinto (sendo que nunca o ganha exactamente por ainda não se ter afirmado). Para quem não se lembra, isto foi tentado por exemplo com o Carlito e com o Chris Masters. Existem bastantes soluções para por um wrestler neste nível e para tornar o cinto algo “apetecível” aos olhos dos fãs… Uma delas é, por exemplo, o king of the ring que este ano… Não se realizou.

Pessoalmente sempre gostei das ideias das ligas e torneios… Parece-me que conferem uma certa justiça ao vencedor final. Escapa-me como é que os criativos wwerianos podem achar credível o HHH chegar, dizer “eu sou o rei, mereço lutar pelo titulo”. Eles não esperam mesmo que as pessoas não pensem sequer no Kennedy que, apesar de ter perdido esse direito, tinha uma certa malinha para cobrar, do Cena/Orton que, acabadinhos de sair do Main-event (independentemente do campeão), passam para o mid-card de outros tantos nas restantes brands… É que o que não é credível aqui é o Lashley estar bastante interessado no Cena por causa do titulo e depois… Ficar bastante mais interessado em dizer “Carlito not cool!”. Parece-me óbvio que qualquer fã que não seja:

a) Deficiente mental;

b) Empregado do Vince;

c) Cunhado do Vince;

d) Da familía do Vince;

Vai dizer:

“Estes gajos andam a gozar comigo não?”

Notas finais:

- Eu, que até estou bastante habituado a que a wwe goze comigo, ando um bocado farto de TLC’s… O que é que aconteceu aos combates de jaula? E aos Hell in a Cell?
Ah sim… Aposto que os estão a guardá-los para o Hunterzinho…

- Em resposta a um comentário ao post de ontem do Didi T… A Raw desceu as audiências mas a Smackdown não. Parece-me óbvio que não tem nada a ver com o benoit…
- O Edge vai estar parado 5 meses segundo o Observer… É como quem diz que volto a ver WWE lá para Janeiro. Se isto fosse futebol e a WWE fosse o Benfica (O edge era o Simão), eu mandava uma carta ao luis filipe vieira a pedir-lhe para contratar o Christian para o substituir… Mas como o wrestling não é futebol, não sei nem quem é que aconselho ao Vince para substituir o insubstituivel, nem quem aconselho ao Vieira para a mesmissima coisa… Cheira-me que vai ser uma época dura para os meus lados…

As escolhas de uma formiga

July 19, 2007
Quando ingressei no bgw há uns tempos atrás, fi-lo com a difícil tarefa de escrever à quarta-feira (algo que foi rapidamente alterado), dia antigamente destinado ao Marcão e que estava, por motivos profissionais, de saída. Alguns esperariam que eu o substituísse condignamente… Como é óbvio, não o fiz… O marcão era um mestre das biografias e deve-se a ele, na minha opinião, parte do sucesso deste blog, principalmente a nossa incursão por terras de vera cruz (como se verifica nos leitores brasileiros que ainda hoje nos continuam a visitar). Eu não sou mestre de nada, e tenho dúvidas se conseguiria escrever a minha própria biografia, quanto mais…
Hoje volto ao BGW, por quanto tempo logo se verá… Não substituo ninguém, mas ocupo o lugar do Striker às quintas. E é com imensa pena que o faço, não só porque significa que ele está com uma licença por tempo indeterminado, mas porque também sei que os leitores que cá vierem de propósito a este dia para o lerem não encontrarão uma alternativa à altura…

O que não quer dizer que não seja suficientemente bom para vos chatear a cabeça com o meu pessimismo sobre a WWE, TNA, etc… (Adicionar aqui por obséquio o smile do diabo no MSN).

Sinceramente, a primeira coisa que me vem à cabeça é o kahli a campeão. Estou com uma vontade enorme de cair em cima do Vince por isso… Escrevi num comentário à notícia do Talionis que preferia o Batista e prefiro mesmo! Ao menos o Batista fala, e pode ter apesar de tudo alguns combates decentes com adversários excelentes…
O kahli nem wrestler é no meu dicionário. Mas percebo esta opção.
Lembro-me de ler neste mesmo blog há algum tempo que numa conversa em que participavam alguns “marks”, estes exprimiam a sua convicção de que os próximos campeões da WWE seriam, inevitavelmente, kahli, henry, Taker, Lashley, etc., pela sua estatura e pela sua invencibilidade… E a verdade é que nós, que nos queixamos constantemente do booking incoerente, da falta de credibilidade e por aí em diante, não nos podemos queixar de um campeão que perdeu, que eu me lembre, duas vezes, uma delas para o campeão de outra brand e a segunda para um lutador lesionado.
Foi uma decisão tomada em cima do joelho e será provavelmente alterada nos próximos tempos… Mas entre Batista, Kane e Kahli, o ultimo é neste momento e aos olhos de qualquer mark o campeão mais credível. Wrestling é entretenimento, não justiça, e apesar de kahli não ser lá grande sinónimo de entretenimento para mim, sei reconhecer que o será para alguns e que do ponto de vista lógico é o campeão natural. Principalmente tendo em conta o turbilhão de acontecimentos que a WWE atravessa e que deve ter deixado praticamente tudo de pantanas.

Este é o segundo ponto onde quero pegar hoje. Do ponto de vista do espectador, para mim Vince está de parabéns. Não é fácil arranjar numa semana novas feuds e soluções, pegar em tudo o que estava previsto e alterá-lo, mas Vince fê-lo, e fê-lo bem. Não estamos exactamente com feuds do nível Austin vs Rock, mas também, poucos andam pela WWE capazes de feuds deste nível… Mais uma vez, do ponto de vista do mark, parece-me que o que foi arranjado é bastante satisfatório e rentável para a empresa. O que, mais uma vez, não quer dizer que goste de todas as opções…
No especial caso do titulo da WWE, era óbvio que não podíamos ter já um Orton vs Cena… Orton ainda não tem a credibilidade suficiente para chegar ver e vencer… Creio que a, fora Nitro, a lógica da WWE é bastante clara… Em crise assume os lugares cimeiros quem está mais credibilizado no ringue, e esses são claramente Lashley e Cena. Acho que Lashley pode inclusivamente vir a carregar o título temporariamente, para o perder de seguida.
Resumindo: Para aquilo que a WWE nos habituou, esta coerência repentina espanta-me e satisfaz-me, principalmente nesta análise ceteris paribus, ou seja, mantendo tudo o resto constante… Ou seja: O facto dos actuais “main-eventers” não saberem lutar ou então estarem cheios de esteróides, ou então estarem onde estão injustamente, etc, etc, etc…
Da próxima vez que vos disserem que o wrestling é uma novela, estejam a vontade para afirmar que é, no momento, uma novela com alguma credibilidade (assumindo que wrestling cá no sitio significa WWE como a Gillete significa Lâmina de barbear…).

Agora, de credibilidade para qualidade ainda vão umas letrinhas de diferença…
Mas isso ninguém precisa de saber esta semana. ;)

P.S. – Nas próximas semanas não haverá imagens porque ainda estou a negociar com o Talionis o prémio de jogo, que é como quem diz, quanto recebo por imagem… Isso e o facto de não o conseguir fazer deste PC. Mas principalmente por culpa do Talionis ;) .

Pena de Talião XLI – A Revolução dos Rosters

June 18, 2007
Para quem se queixava de monotonia na WWE, alegrem-se: esta última semana revolucionou por completo as três marcas, bem mais do que uma mera troca de um ou dois main-eventers auxiliada pelas trocas de dois ou três jobbers. Quem não acompanhou qualquer uma das três marcas da WWE nesta semana que ontem findou, vai pensar que se passaram anos. Basta ver o exemplo do Adolfo, que ontem regressou para junto de nós, que ficou umas semanas sem ver o que o tio Vince ia fazendo. Imagino a cara dele ao ver o que para ali ia: Edge campeão na Smackdown!, Ric Flair a fazer-lhe companhia, Benoit na ECW, Lashley oficialmente na Raw e sem ser campeão… e claro, John Cena ainda WWE Champion só para lembrar que apesar de tudo ainda é… WWE.

Com tanta coisa que se passou – ou pelo menos, com tanto pano para mangas que só o draft dá (26 trocas!!) – nem sei ao certo por onde começar. Talvez a mais recente storyline principal da WWE, a morte de Mr. McMahon. Só que se a explosão já tem tanto que se diga, certo é que ainda levanta mais questões, e cheira-me que não vai ser na Raw desta noite que vamos descobrir alguma coisa.

O sucesso do ângulo é, desde já, garantido. Foi uma jogada de génio, digam o que disserem, foi completamente inesperado, surpreendente, chocante. Foi o final perfeito para a Raw especial de três horas, que por si só já tinha sido bastante boa. Lembro-me de estar a ver o programa com o Legacy (o Formiga entretanto desistira – eu bem que lhe dizia que o melhor ainda estava para vir :D) e estávamos nos momentos finais. Pelo meio tínhamos observado algumas trocas surpreendentes (Flair na Smackdown!, Benoit na ECW e Lashley na Raw são talvez as que mais destaco assim à primeira vista) e algumas promos muito muito boas – a destacar obviamente a de Steve Austin, o programa estava prestes a encerrar inevitavelmente com Mr. McMahon. Estávamos perante um anti-climax clássico, nada acontecia. Discuto com o Legacy o que estará para vir, que não pode ser simplesmente o patrão a caminhar deprimido pelos bastidores. Quando está a entrar na limousine fico perplexo… vai ser mesmo só aquilo? É esta a maneira genial que a WWE encontra para terminar um especial de três horas, um programa que até tivera bons combates e que estava mesmo a pedir um final em grande? Que raio de final é este sem qualquer tipo de acontecimento digno de re… BANG!.


Queixo caído. Mas que raio é que se passou ali?!?!

O segmento foi brilhantemente realizado. Não consigo imaginar a trabalheira que não deve ter dado editar aquilo em directo para a televisão, independentemente de serem ou não imagens pré-gravadas. O trabalho de produção e realização foi perfeito, um dos melhores que a WWE jamais fez. Fantástico, e sou obrigado a tirar o chapéu à equipa televisiva. Melhor é impossível.

O que se seguirá agora é uma perfeita incógnita. Sabe-se apenas o óbvio, que a estória irá girar em torno de “quem matou Mr. McMahon”. Nesta fase do “campeonato” não vale a pena estar com teorias, pode ter sido qualquer um. Arrisco mesmo a dizer que nem os escritores da WWE encontraram ainda um culpado – é deixar rolar a história e ver onde ela nos leva. Será mesmo o fim da personagem Mr. McMahon na televisão? Se sim, quem lhe vai suceder? E mesmo que não seja, até ao seu regresso quem irá tomar “controlo da WWE”, falando em termos de kayfabe? Shane? Stephanie? Ou será que se vai devolver as marcas aos General Managers (que desde o regresso em força de Mr. McMahon – mais ou menos desde o despedimento de Bishoff – têm sido praticamente inexistentes)? Se for este o caminho para os próximos episódios, quem vai ocupar então o cargo de GM da Raw e da ECW? E a todas estas questões somam-se outras tantas, praticamente infinitas. Talvez a Raw de hoje traga as primeiras respostas – mas vai trazer de certeza muitas mais perguntas. Só sei que se há episódio que não vou querer perder, é o de hoje.
Sei agora que esta ideia surgiu pela primeira vez há mais de um ano atrás, e servia na altura para riscar da televisão o papel de Mr. McMahon. Faz todo o sentido – a personagem é velha, está gasta e a ter um fim, terá que ser grandioso. Se foi este o seu final, então foi um fim digno da gimmick, uma das melhores de toda a história do wrestling. Tenho medo que, como a WWE nos tem vindo a habituar, que se percam com todo o “glamour” do momento e acabem por prolongar isto tempo demais, e mesmo que tomem várias decisões erradas pelo caminho. Mas “so far so good” e não vou começar a tecer críticas antes de haver motivos para o fazer.

Mas a semana do wrestling foi acompanhada por outro acontecimento igualmente grandioso, que esse sim veio revolucionar os três rosters. Foi bem mais do que trocar meia dúzia de caras, foi uma verdadeira revolução. Basta olhar principalmente para a ECW! Parece que lhe fizeram um autêntico “reboot”: acabaram a marca e começaram-na de novo. E não está nada mal, com a adição de grandes lutadores jovens com um promissor futuro, “liderados” por uma lenda viva do verdadeiro wrestling que está agora no melhor sítio onde poderia estar na WWE.

Vamos por partes, começando por Chris Benoit. Falava-se muito na sua ida para a Raw, era um dado praticamente certo, e a WWE surpreende-nos ao mandá-lo para a ECW. Foi o melhor que lhe poderia acontecer. Na Smackdown! estava praticamente “morto” por os escritores principais não confiarem nele para o main-event. Na Raw de certeza que teria mais sorte, mas com a presença de Triple H, Shawn Michaels, Randy Orton, John Cena e ainda Lashley, ia ter competição a mais. Já na ECW isto não acontece – é automaticamente o líder natural desse roster, a cara principal da terceira marca e o principal veículo para elevá-la a voos mais importantes. E além de tudo isto, tem um enorme trunfo na manga: o principal escritor da ECW é nem mais nem menos que Dusty Rhodes. Se há alguém que pode apreciar verdadeiramente o trabalho de Benoit, se há alguém que pode apostar nele para o main-event e para o título, é Rhodes. É por isso que digo que Benoit está, agora sim, no sítio certo. Catapultado directamente para o main-event, fala-se já num Fatal 4 Way pelo título vago no Vengeance (já no próximo fim de semana) que é, à partida, um dream match: Benoit VS CM Punk VS Burke VS Cor Von. Com sorte trocam o Cor Von pelo Johnny Nitro e ali estão quatro dos melhores lutadores que a WWE tem neste momento. Melhor ainda é fazerem esse combate sob “extreme rules”. Prevê-se um grande futuro para a ECW, pela primeira vez em muitos meses. E o papel de Benoit, com ou sem título, será fulcral: um pouco o mesmo que teve na feud com MVP (que é um sortudo do caraças – já explico porquê mais à frente), mas desta vez no papel de main-eventer. Excelente escolha.

Outra escolha muito boa foi a de levar Johnny Nitro para a ECW. Relegado para o Heat, sem espaço e/ou tempo na Raw para se provar, vai ter o que lhe faltava na ECW. Novos adversários, um excelente professor (quer vá para o main-event, quer se fique pelo midcard), e sobretudo tempo e espaço para fazer o que sabem melhor. Se ainda houver planos para prolongar a New Breed, Nitro poderá ser uma boa adição. Sobretudo, a qualidade dos combates nesta “nova” ECW pós-draft é aliciante. Uma feud Nitro VS CM Punk, por exemplo, será excelente para qualquer um dos lutadores – e para a totalidade dos fans.

Claro que uma draft não pode ser só “trocas de sonho”, e têm sempre que vir jobbers pelo caminho. Viscera, The Miz e Boogeyman são três perfeitos exemplos, especialmente nos dois primeiros casos. Dá sempre jeito ter um gigante assustador numa brand, pois isso fortalece os lutadores mais pequenos – uma vitória sobre um monstro daqueles traz sempre alguma credibilidade, especialmente se o seu percurso for bem gerido (coisa que não estava a ser feita na Raw – já todos derrotaram Viscera). The Miz está lá só para levar pancada… Já no que toca ao Boogeyman, não sei ao certo o que a WWE tem reservado para ele. Não é o pior lutador que por lá anda, mas insistir naquela gimmick que tanto tem falhado parece ser uma fraca opção. Se o Boogey apenas for para a ECW para “ilustrar” o programa, menos mal; se é para ter um papel mais importante é que já me desilude um pouco. Mesmo assim, as trocas positivas são suficientemente boas para abafar estas mais “esquisitas”.

No que diz respeito à Raw, falando a título pessoal, o que mais me surpreendeu foi a ida do Lashley para junto de Cena. Será uma feud interessante, sem dúvida – bem mais interessante que a já muito falada feud Cena VS Batista. Primeiro porque Lashley, como lutador, arruma Batista a um canto; depois porque se vai estrear na Raw com muito mais credibilidade – ele É campeão. Ganhou o título e não foi derrotado para o perder, surge com todo o direito na posição de candidato ao WWE Championship. E agora deixo a pergunta aos nossos leitores: quem preferem ver com o “spinner belt”? Lashley ou Cena?
O salto de Lashley para a Raw era inevitável, a WWE já andava a preparar esse passo há algum tempo no modo como ele vinha a ser construído; contudo, não esperava que fosse já, e muito menos com Cena ainda na Raw. Mas a Raw é sem dúvida o melhor sítio para Lashley melhorar os seus pontos fracos (micskills) sem perder a oportunidade de pôr em prática o melhor que tem (técnica e qualidade de combate). Com adversários como Triple H, Shawn Michaels, King Booker ou mesmo o John Cena, Lashley terá grandes professores para aprender a sacar do público a tal reacção extra que lhe falta receber.

Falando em King Booker, a única coisa que desilude é regressar com esta gimmick. Se tivesse voltado a ser o tradicional Booker T, penso que funcionaria muito melhor. A gimmick já estava gasta quando Booker perdeu o título para Batista no Survivor Series do ano passado, continua gasta agora. Sim, dá sempre jeito ter um heel cómico, mas pergunto-me se isso não retirará credibilidade às suas feuds. Fora isso, é uma boa adição à Raw, quer pelo seu passado e qualidade do que ainda hoje faz, quer pelo respeito que impõe no balneário. Depois de deixar Batista estendido no chão há cerca de um ano, digam lá se não era giro vir agora o Cena armar-se em grande e levar também nos dentes :D. Go Booker Go!

Uma das melhores escolhas para a Raw, talvez a par de Lashley, foi a de Mr. Kennedy. É triste não termos uma oportunidade de ele se vingar do Edge por lhe ter roubado a mala – só que também essa seria mesmo uma feud que iríamos querer ver? Já se sabe que Edge vai ter um reinado de longa duração, por isso Kennedy ia perder. E depois, Mr. Kennedy é grandioso é como um heel, e metê-lo como tweener/face contra Edge era simplesmente um desperdício, especialmente tendo em conta que a Raw está a precisar de bons heels enquanto Triple H não volta (e não faz o seu heel-turn, que me cheira que não virá antes da Royal Rumble). Ken Kennedy terá um próspero futuro na Raw, ainda não sei bem contra quem, mas é tal como com Lashley um passo lógico na progressão da sua carreira. Talvez esta troca o ponha um pouco mais longe do título (mais depressa o via campeão na Smackdown! do que na Raw com o Cena por lá), mas nem só de títulos se faz uma progressão de uma carreira. Que o diga o roster da Raw, que não cheira o título há quase três anos, e nem por isso têm deixado de surgir novas estrelas e bons combates intermédios. Um bom passo inicial para Kennedy é tirar o título Intercontinental a Santino Marella e seguir para uma longa feud com Jeff Hardy.

Uma escolha também interessante – e talvez a que teve maior impacto na Draft Suplementar de ontem – é a da dupla London & Kendrick. Infelizmente isto deixa a divisão de equipas da Smackdown! moribunda, mas não é que se possa dizer que andasse muito viva nos últimos meses, não? Com London & Kendrick na Raw, suponho que a substituir o papel deixado vago pelos Hardys (que devem agora seguir a solo durante uns meses), há novo sangue para lutar pelos World Tagteam Titles, e para variar, sangue de qualidade na divisão de equipas.

Tudo o resto da Raw é para encher. Snitksy será o gigante de serviço agora que Khali saiu (provavelmente mais um para Cena matar antes de começar a receber adversários dignos), Daivari vai para o midcard do Heat, Regal suponho que tenha sido só um capricho aceite por ter muitos anos de casa (acabar carreira na Raw?) e a surpresa da tarde de ontem, Sandman na Raw. Das duas uma: ou o Adolfo tem razão e é apenas um passo lógico para o despedimento, ou então Sandman vai ter o maior push da década. Dê por onde der, o veterano vai ter agora mais exposição que nunca, e pelo menos isso é um merecido prémio de carreira. Ainda assim, algo me diz que não foi isso que motivou esta troca…
Temos ainda, finalmente, a chegada de Jillian. A meu ver, não justifica a partida de Victoria. A divisão feminina tinha tudo para ficar agora melhor que nunca, mas fizeram asneira. A divisão fica assim na mesma, ou pior (tendo em conta a gimmick actual da diva).

E mudando de lados, para a Smackdown!. Tem-se dito que foi quem mais perdeu e que menos ganhou, e talvez concorde. Mas não digo, pelo menos ainda não, que esteja muito enfraquecida. Perdeu Benoit e Kennedy, sim, mas o primeiro estava estagnado na marca azul, e o segundo já não tinha muito a fazer lá. Não seria Booker a fazer a diferença com Edge como campeão, por isso que futuro podemos augurar?

Começando pela draft dos “jobbers”, temos Khali, Torrie e Eugene claramente só para encher. Khali já fizera o que tinha a fazer na Raw – levar porrada de Cena. Torrie… bem, vai fazer na Smackdown! o mesmo que fazia na Raw, servir de acompanhante a alguém; e Eugene… como disse, só para encher.

Mas depois temos uma série de lutadores que serão uma excelente adição ao midcard da Smackdown!. Começando por Hardcore Holly, já com provas dadas e sem espaço na ECW, será um bom nome para lutar pelo título dos Estados Unidos, assim como Chris Masters e Kenny. Pelo menos essa “divisão” ficará agora ao rubro.
A ida dos Major Brothers para a Smackdown! também é uma grande adição à divisão tagteam – ainda não estão ao nível de London e Kendrick, mas parece-me que essa divisão passa assim a ser uma rampa de lançamento de novas equipas. Quando estiverem maduras passam para a Raw, digo eu. Na ECW não estavam a fazer nada, na Smackdown! sempre farão algum sentido.

Victoria para a Smackdown! foi a maior desilusão da draft suplementar, pelo menos para mim. Esfumam-se de vez as esperanças que eu tinha em vê-la com o cinto de campeã, e não percebo que papel é que terá às sextas-feiras. Não tem competição decente, não tem motivação… a pior decisão de toda a Draft.

E por fim, Ric Flair. Uma grande surpresa, ninguém diria que o seu futuro como lutador (quão longo será ainda?) passaria pela Smackdown!. E segue direitinho para uma feud pelo USA Title. MVP só pode agradecer aos deuses do wrestling: primeiro uma feud com Benoit, agora com Ric Flair! Que mais pode um jovem lutador pedir no início da sua carreira?
No entanto, sou levado a acreditar que esta passagem de Flair por este título é apenas isso, um ponto de passagem. Fala-se num derradeiro título para o Nature Boy, e é muito mais provável que o conquiste a Edge do que a John Cena. Lá para o final do ano, porque não? Depois de testemunhar “in loco” esta lenda viva, não posso negar que bem o merece. Nem que seja um reinado muito breve, apenas um mês (ganhar num PPV e perder no próximo), não mancharia a sua credibilidade e o seu passado – quer para ele, quer para Edge.

Acima de tudo, todas estas trocas vão trazer sem sombra de dúvida uma enorme lufada de ar fresco à WWE: storylines escritas do zero, um “reboot” quase total, começar do zero. Era mesmo disto que a WWE estava a precisar. Raw, Smackdown! e ECW, todas elas prometem bastante. Quem me faz companhia esta noite?

Até p’rá semana ;)

Pena de Talião XLI – A Revolução dos Rosters

June 18, 2007
Para quem se queixava de monotonia na WWE, alegrem-se: esta última semana revolucionou por completo as três marcas, bem mais do que uma mera troca de um ou dois main-eventers auxiliada pelas trocas de dois ou três jobbers. Quem não acompanhou qualquer uma das três marcas da WWE nesta semana que ontem findou, vai pensar que se passaram anos. Basta ver o exemplo do Adolfo, que ontem regressou para junto de nós, que ficou umas semanas sem ver o que o tio Vince ia fazendo. Imagino a cara dele ao ver o que para ali ia: Edge campeão na Smackdown!, Ric Flair a fazer-lhe companhia, Benoit na ECW, Lashley oficialmente na Raw e sem ser campeão… e claro, John Cena ainda WWE Champion só para lembrar que apesar de tudo ainda é… WWE.

Com tanta coisa que se passou – ou pelo menos, com tanto pano para mangas que só o draft dá (26 trocas!!) – nem sei ao certo por onde começar. Talvez a mais recente storyline principal da WWE, a morte de Mr. McMahon. Só que se a explosão já tem tanto que se diga, certo é que ainda levanta mais questões, e cheira-me que não vai ser na Raw desta noite que vamos descobrir alguma coisa.

O sucesso do ângulo é, desde já, garantido. Foi uma jogada de génio, digam o que disserem, foi completamente inesperado, surpreendente, chocante. Foi o final perfeito para a Raw especial de três horas, que por si só já tinha sido bastante boa. Lembro-me de estar a ver o programa com o Legacy (o Formiga entretanto desistira – eu bem que lhe dizia que o melhor ainda estava para vir :D) e estávamos nos momentos finais. Pelo meio tínhamos observado algumas trocas surpreendentes (Flair na Smackdown!, Benoit na ECW e Lashley na Raw são talvez as que mais destaco assim à primeira vista) e algumas promos muito muito boas – a destacar obviamente a de Steve Austin, o programa estava prestes a encerrar inevitavelmente com Mr. McMahon. Estávamos perante um anti-climax clássico, nada acontecia. Discuto com o Legacy o que estará para vir, que não pode ser simplesmente o patrão a caminhar deprimido pelos bastidores. Quando está a entrar na limousine fico perplexo… vai ser mesmo só aquilo? É esta a maneira genial que a WWE encontra para terminar um especial de três horas, um programa que até tivera bons combates e que estava mesmo a pedir um final em grande? Que raio de final é este sem qualquer tipo de acontecimento digno de re… BANG!.


Queixo caído. Mas que raio é que se passou ali?!?!

O segmento foi brilhantemente realizado. Não consigo imaginar a trabalheira que não deve ter dado editar aquilo em directo para a televisão, independentemente de serem ou não imagens pré-gravadas. O trabalho de produção e realização foi perfeito, um dos melhores que a WWE jamais fez. Fantástico, e sou obrigado a tirar o chapéu à equipa televisiva. Melhor é impossível.

O que se seguirá agora é uma perfeita incógnita. Sabe-se apenas o óbvio, que a estória irá girar em torno de “quem matou Mr. McMahon”. Nesta fase do “campeonato” não vale a pena estar com teorias, pode ter sido qualquer um. Arrisco mesmo a dizer que nem os escritores da WWE encontraram ainda um culpado – é deixar rolar a história e ver onde ela nos leva. Será mesmo o fim da personagem Mr. McMahon na televisão? Se sim, quem lhe vai suceder? E mesmo que não seja, até ao seu regresso quem irá tomar “controlo da WWE”, falando em termos de kayfabe? Shane? Stephanie? Ou será que se vai devolver as marcas aos General Managers (que desde o regresso em força de Mr. McMahon – mais ou menos desde o despedimento de Bishoff – têm sido praticamente inexistentes)? Se for este o caminho para os próximos episódios, quem vai ocupar então o cargo de GM da Raw e da ECW? E a todas estas questões somam-se outras tantas, praticamente infinitas. Talvez a Raw de hoje traga as primeiras respostas – mas vai trazer de certeza muitas mais perguntas. Só sei que se há episódio que não vou querer perder, é o de hoje.
Sei agora que esta ideia surgiu pela primeira vez há mais de um ano atrás, e servia na altura para riscar da televisão o papel de Mr. McMahon. Faz todo o sentido – a personagem é velha, está gasta e a ter um fim, terá que ser grandioso. Se foi este o seu final, então foi um fim digno da gimmick, uma das melhores de toda a história do wrestling. Tenho medo que, como a WWE nos tem vindo a habituar, que se percam com todo o “glamour” do momento e acabem por prolongar isto tempo demais, e mesmo que tomem várias decisões erradas pelo caminho. Mas “so far so good” e não vou começar a tecer críticas antes de haver motivos para o fazer.

Mas a semana do wrestling foi acompanhada por outro acontecimento igualmente grandioso, que esse sim veio revolucionar os três rosters. Foi bem mais do que trocar meia dúzia de caras, foi uma verdadeira revolução. Basta olhar principalmente para a ECW! Parece que lhe fizeram um autêntico “reboot”: acabaram a marca e começaram-na de novo. E não está nada mal, com a adição de grandes lutadores jovens com um promissor futuro, “liderados” por uma lenda viva do verdadeiro wrestling que está agora no melhor sítio onde poderia estar na WWE.

Vamos por partes, começando por Chris Benoit. Falava-se muito na sua ida para a Raw, era um dado praticamente certo, e a WWE surpreende-nos ao mandá-lo para a ECW. Foi o melhor que lhe poderia acontecer. Na Smackdown! estava praticamente “morto” por os escritores principais não confiarem nele para o main-event. Na Raw de certeza que teria mais sorte, mas com a presença de Triple H, Shawn Michaels, Randy Orton, John Cena e ainda Lashley, ia ter competição a mais. Já na ECW isto não acontece – é automaticamente o líder natural desse roster, a cara principal da terceira marca e o principal veículo para elevá-la a voos mais importantes. E além de tudo isto, tem um enorme trunfo na manga: o principal escritor da ECW é nem mais nem menos que Dusty Rhodes. Se há alguém que pode apreciar verdadeiramente o trabalho de Benoit, se há alguém que pode apostar nele para o main-event e para o título, é Rhodes. É por isso que digo que Benoit está, agora sim, no sítio certo. Catapultado directamente para o main-event, fala-se já num Fatal 4 Way pelo título vago no Vengeance (já no próximo fim de semana) que é, à partida, um dream match: Benoit VS CM Punk VS Burke VS Cor Von. Com sorte trocam o Cor Von pelo Johnny Nitro e ali estão quatro dos melhores lutadores que a WWE tem neste momento. Melhor ainda é fazerem esse combate sob “extreme rules”. Prevê-se um grande futuro para a ECW, pela primeira vez em muitos meses. E o papel de Benoit, com ou sem título, será fulcral: um pouco o mesmo que teve na feud com MVP (que é um sortudo do caraças – já explico porquê mais à frente), mas desta vez no papel de main-eventer. Excelente escolha.

Outra escolha muito boa foi a de levar Johnny Nitro para a ECW. Relegado para o Heat, sem espaço e/ou tempo na Raw para se provar, vai ter o que lhe faltava na ECW. Novos adversários, um excelente professor (quer vá para o main-event, quer se fique pelo midcard), e sobretudo tempo e espaço para fazer o que sabem melhor. Se ainda houver planos para prolongar a New Breed, Nitro poderá ser uma boa adição. Sobretudo, a qualidade dos combates nesta “nova” ECW pós-draft é aliciante. Uma feud Nitro VS CM Punk, por exemplo, será excelente para qualquer um dos lutadores – e para a totalidade dos fans.

Claro que uma draft não pode ser só “trocas de sonho”, e têm sempre que vir jobbers pelo caminho. Viscera, The Miz e Boogeyman são três perfeitos exemplos, especialmente nos dois primeiros casos. Dá sempre jeito ter um gigante assustador numa brand, pois isso fortalece os lutadores mais pequenos – uma vitória sobre um monstro daqueles traz sempre alguma credibilidade, especialmente se o seu percurso for bem gerido (coisa que não estava a ser feita na Raw – já todos derrotaram Viscera). The Miz está lá só para levar pancada… Já no que toca ao Boogeyman, não sei ao certo o que a WWE tem reservado para ele. Não é o pior lutador que por lá anda, mas insistir naquela gimmick que tanto tem falhado parece ser uma fraca opção. Se o Boogey apenas for para a ECW para “ilustrar” o programa, menos mal; se é para ter um papel mais importante é que já me desilude um pouco. Mesmo assim, as trocas positivas são suficientemente boas para abafar estas mais “esquisitas”.

No que diz respeito à Raw, falando a título pessoal, o que mais me surpreendeu foi a ida do Lashley para junto de Cena. Será uma feud interessante, sem dúvida – bem mais interessante que a já muito falada feud Cena VS Batista. Primeiro porque Lashley, como lutador, arruma Batista a um canto; depois porque se vai estrear na Raw com muito mais credibilidade – ele É campeão. Ganhou o título e não foi derrotado para o perder, surge com todo o direito na posição de candidato ao WWE Championship. E agora deixo a pergunta aos nossos leitores: quem preferem ver com o “spinner belt”? Lashley ou Cena?
O salto de Lashley para a Raw era inevitável, a WWE já andava a preparar esse passo há algum tempo no modo como ele vinha a ser construído; contudo, não esperava que fosse já, e muito menos com Cena ainda na Raw. Mas a Raw é sem dúvida o melhor sítio para Lashley melhorar os seus pontos fracos (micskills) sem perder a oportunidade de pôr em prática o melhor que tem (técnica e qualidade de combate). Com adversários como Triple H, Shawn Michaels, King Booker ou mesmo o John Cena, Lashley terá grandes professores para aprender a sacar do público a tal reacção extra que lhe falta receber.

Falando em King Booker, a única coisa que desilude é regressar com esta gimmick. Se tivesse voltado a ser o tradicional Booker T, penso que funcionaria muito melhor. A gimmick já estava gasta quando Booker perdeu o título para Batista no Survivor Series do ano passado, continua gasta agora. Sim, dá sempre jeito ter um heel cómico, mas pergunto-me se isso não retirará credibilidade às suas feuds. Fora isso, é uma boa adição à Raw, quer pelo seu passado e qualidade do que ainda hoje faz, quer pelo respeito que impõe no balneário. Depois de deixar Batista estendido no chão há cerca de um ano, digam lá se não era giro vir agora o Cena armar-se em grande e levar também nos dentes :D. Go Booker Go!

Uma das melhores escolhas para a Raw, talvez a par de Lashley, foi a de Mr. Kennedy. É triste não termos uma oportunidade de ele se vingar do Edge por lhe ter roubado a mala – só que também essa seria mesmo uma feud que iríamos querer ver? Já se sabe que Edge vai ter um reinado de longa duração, por isso Kennedy ia perder. E depois, Mr. Kennedy é grandioso é como um heel, e metê-lo como tweener/face contra Edge era simplesmente um desperdício, especialmente tendo em conta que a Raw está a precisar de bons heels enquanto Triple H não volta (e não faz o seu heel-turn, que me cheira que não virá antes da Royal Rumble). Ken Kennedy terá um próspero futuro na Raw, ainda não sei bem contra quem, mas é tal como com Lashley um passo lógico na progressão da sua carreira. Talvez esta troca o ponha um pouco mais longe do título (mais depressa o via campeão na Smackdown! do que na Raw com o Cena por lá), mas nem só de títulos se faz uma progressão de uma carreira. Que o diga o roster da Raw, que não cheira o título há quase três anos, e nem por isso têm deixado de surgir novas estrelas e bons combates intermédios. Um bom passo inicial para Kennedy é tirar o título Intercontinental a Santino Marella e seguir para uma longa feud com Jeff Hardy.

Uma escolha também interessante – e talvez a que teve maior impacto na Draft Suplementar de ontem – é a da dupla London & Kendrick. Infelizmente isto deixa a divisão de equipas da Smackdown! moribunda, mas não é que se possa dizer que andasse muito viva nos últimos meses, não? Com London & Kendrick na Raw, suponho que a substituir o papel deixado vago pelos Hardys (que devem agora seguir a solo durante uns meses), há novo sangue para lutar pelos World Tagteam Titles, e para variar, sangue de qualidade na divisão de equipas.

Tudo o resto da Raw é para encher. Snitksy será o gigante de serviço agora que Khali saiu (provavelmente mais um para Cena matar antes de começar a receber adversários dignos), Daivari vai para o midcard do Heat, Regal suponho que tenha sido só um capricho aceite por ter muitos anos de casa (acabar carreira na Raw?) e a surpresa da tarde de ontem, Sandman na Raw. Das duas uma: ou o Adolfo tem razão e é apenas um passo lógico para o despedimento, ou então Sandman vai ter o maior push da década. Dê por onde der, o veterano vai ter agora mais exposição que nunca, e pelo menos isso é um merecido prémio de carreira. Ainda assim, algo me diz que não foi isso que motivou esta troca…
Temos ainda, finalmente, a chegada de Jillian. A meu ver, não justifica a partida de Victoria. A divisão feminina tinha tudo para ficar agora melhor que nunca, mas fizeram asneira. A divisão fica assim na mesma, ou pior (tendo em conta a gimmick actual da diva).

E mudando de lados, para a Smackdown!. Tem-se dito que foi quem mais perdeu e que menos ganhou, e talvez concorde. Mas não digo, pelo menos ainda não, que esteja muito enfraquecida. Perdeu Benoit e Kennedy, sim, mas o primeiro estava estagnado na marca azul, e o segundo já não tinha muito a fazer lá. Não seria Booker a fazer a diferença com Edge como campeão, por isso que futuro podemos augurar?

Começando pela draft dos “jobbers”, temos Khali, Torrie e Eugene claramente só para encher. Khali já fizera o que tinha a fazer na Raw – levar porrada de Cena. Torrie… bem, vai fazer na Smackdown! o mesmo que fazia na Raw, servir de acompanhante a alguém; e Eugene… como disse, só para encher.

Mas depois temos uma série de lutadores que serão uma excelente adição ao midcard da Smackdown!. Começando por Hardcore Holly, já com provas dadas e sem espaço na ECW, será um bom nome para lutar pelo título dos Estados Unidos, assim como Chris Masters e Kenny. Pelo menos essa “divisão” ficará agora ao rubro.
A ida dos Major Brothers para a Smackdown! também é uma grande adição à divisão tagteam – ainda não estão ao nível de London e Kendrick, mas parece-me que essa divisão passa assim a ser uma rampa de lançamento de novas equipas. Quando estiverem maduras passam para a Raw, digo eu. Na ECW não estavam a fazer nada, na Smackdown! sempre farão algum sentido.

Victoria para a Smackdown! foi a maior desilusão da draft suplementar, pelo menos para mim. Esfumam-se de vez as esperanças que eu tinha em vê-la com o cinto de campeã, e não percebo que papel é que terá às sextas-feiras. Não tem competição decente, não tem motivação… a pior decisão de toda a Draft.

E por fim, Ric Flair. Uma grande surpresa, ninguém diria que o seu futuro como lutador (quão longo será ainda?) passaria pela Smackdown!. E segue direitinho para uma feud pelo USA Title. MVP só pode agradecer aos deuses do wrestling: primeiro uma feud com Benoit, agora com Ric Flair! Que mais pode um jovem lutador pedir no início da sua carreira?
No entanto, sou levado a acreditar que esta passagem de Flair por este título é apenas isso, um ponto de passagem. Fala-se num derradeiro título para o Nature Boy, e é muito mais provável que o conquiste a Edge do que a John Cena. Lá para o final do ano, porque não? Depois de testemunhar “in loco” esta lenda viva, não posso negar que bem o merece. Nem que seja um reinado muito breve, apenas um mês (ganhar num PPV e perder no próximo), não mancharia a sua credibilidade e o seu passado – quer para ele, quer para Edge.

Acima de tudo, todas estas trocas vão trazer sem sombra de dúvida uma enorme lufada de ar fresco à WWE: storylines escritas do zero, um “reboot” quase total, começar do zero. Era mesmo disto que a WWE estava a precisar. Raw, Smackdown! e ECW, todas elas prometem bastante. Quem me faz companhia esta noite?

Até p’rá semana ;)


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