Collecting Souls – Nova Era (?)


Clicar no Play, por favor.😉

Creio ainda não ter abordado com a devida atenção e dedicação mental a nova faceta da WWE. Já toquei no tema muito superficialmente com uma contraposição entre violência e família na criação de um novo modelo de wrestling por parte da WWE. A questão é que quando o fiz, e frisei-o, estávamos em alturas de Wrestlemania. Entrando agora na normalidade do ano da WWE vemos que esta nova abordagem não está a correr como previsto, pelo menos em termos objectivos, daquilo a que temos acesso pelas notícias, desde as audiências até às insatisfações do exigente Vince McMahon, o produto actual não tem alcançado um ponto satisfatório para pouca gente.

Num choque frontal entre os fãs mais antigos, mais exigentes, que viram coisas bastante boas nos últimos 15 anos, isto não serve para rigorosamente nada. O produto é fraco, principalmente quando observamos um RAW com um mínimo de atenção (se conseguirmos, porque não é nada fácil). Neste momento não há uma única linha criativa que me faça querer ver um programa da WWE. Zero. E para os fãs mais recentes, os que se habituaram a este ritmo de “animação” e “entretenimento”? Isto agrada? Tenho sérias dúvidas, mas também não acredito muito. Apesar de existir uma enorme diferença entre estes dois tipos de fãs, o produto que vêem é exactamente o mesmo, o que muda é a perspectiva de cada um. Resta saber se na perspectiva dos fãs mais recentes este até é um bom programa de segunda-feira à noite.

Esta “familiarização” do produto continua, não só na forma como as estórias vão sendo desenvolvidas, mas também nas constantes alterações às coisas “violentas” (acho que nunca usei num texto tantas aspas a indicar ironias) ou moralmente ofensivas que ainda têm, como PPVs, tipos de combate, ou o que mais vier dali… Sinceramente, com tantas mudanças começo a questionar-me se realmente estou a ver um programa de wrestling ou uma novela. Chamar-lhe de série seria menosprezar algumas das coisas que se vão fazendo na televisão americana. Parece-me que a WWE não está a perceber o caminho por onde está a seguir. Eu quando vejo um programa de wrestling procuro ver várias coisas, essencialmente: combates que me atraiam o olhar (em vez do constante “fast-forward” (juro que desta vez não foi ironia) que faço quando vejo um combate – obrigado uploadres!), estórias minimamente coerentes, com momentos bem construídos, com uma boa dose de realismo (a tal credibilidade), nem que seja a estória mais simples de uma luta pelo título baseada… na luta pelo título, e outras coisas menos importantes relacionadas com gostos mais pessoais, como ter o wrestler X no programa que me vai fazer querer ver esse programa.

Economicamente, é viável optar por esta via “familiar”?

Em princípio eu diria que sim. Alargando o produto para uma audiência maior, aumentará por isso a probabilidade de se vender mais merchandise; tornar o produto familiar poderá quebrar o preconceito que envolve o wrestling, quebrando por isso barreiras importantes no contacto entre produto/espectador, o que aumentará as vendas; tornando-se um produto apelativo para o público (muito visto) será também aliciante para novos patrocinadores, logo, gera mais dinheiro. Mas será assim tão básico? A minha resposta é simples: não. Em teoria funcionaria assim. Mas quando introduzimos as preferências pessoais, os gostos de cada um quanto a este produto, nesta equação, e os resultados obtidos nas últimas semanas, vemos claramente que não é isto que faz aumentar a viabilidade do produto. Falando por mim – e acredito que seja assim na maioria das pessoas da CWO – estou bastante descontente com o que vejo, não sinto vontade nenhuma de ver um RAW, por exemplo. Ora, tendo em conta que o RAW sai primeiro que o SmackDown! (por exemplo), a motivação para 4 dias depois voltar a pegar num produto da WWE não é propriamente grande. É natural que um produto não sendo bom e tendo baixas audiências vá influenciar um produto altamente semelhante sendo que sabendo-se ser da mesma origem vá provocar um decréscimo do interesse. Comigo, pelo menos, funciona assim.

Ficou a WWE melhorou a sua credibilidade na sociedade devido a esta mudança?

Não creio. A percepção das pessoas continua a ser a mesma, continua a ser uma coisa violenta que os miúdos não deveriam ver porque pode afectá-los ao ponto de começarem a imitar os ídolos da TV. A WWE tenta mudar isso, reduzindo os níveis de intensidade violenta nos seus programas, ajustando-se à moral instituída de modo a não ferir susceptibilidades. E o que muda? Aparentemente, nada. Valerá a pena continuar a persistir neste modelo de wrestling? Só o tempo (e a WWE) o dirá. Mas até agora os resultados não são satisfatórios, pelo que alguma coisa tem que mudar: ou a WWE persiste neste modelo, enfatizando que é para todos e que é “seguro” aumentando a sua publicidade nesse sentido; ou as pessoas, por si mesmas, mudam para ver a WWE sabendo que é uma coisa diferente e é entretenimento para todos; ou então voltamos ao que tínhamos antes, garantindo pelo menos sucesso a curto-prazo junto dos fãs mais antigos, que entretanto se terão perdido.

E a concorrência?

A TNA, mais uma vez, pode ter aqui uma boa oportunidade para ganhar mais uns quantos adeptos, pode funcionar como a alternativa, mas em crescendo. Mas em quem vejo maior concorrência (e o próprio Vince admite-o) é na UFC. Mas só será concorrência para os fãs mais antigos que querem ver a violência que não têm na WWE, e para os homens da faixa etária correspondente ao público-alvo de desportos como o boxe ou outro tipo de luta (tipo NHL).

E pronto, por esta semana é tudo. Tenham uma boa semana e bom wrestling.😉

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