Tropicália 54: Prostituição! Banalização! Extinção?

Olá a todos!
O wrestling é simplesmente um negócio no ramo do entrenenimento, ninguém duvida nem nega isso. Como tal, já passou por diversas fases: a fase do wrestling “desporto”, a fase dos super-heróis, a fase “é bonito ser mauzão”, até a fase que se vive actualmente.
Isso é compreensível, aceitável até. O problema não reside aqui. O cerne da questão está na maneira como a transição está sendo feita, tudo rápido demais, tudo de maneira descabida demais.
A mudança de público-alvo não é assim tão vantajosa como pode parecer. Não creio ser verdade, como diz Vince em nóticias já postadas no NWO, que, apostando no público jovem hoje, colher-se-á o fruto disso no futuro, ao estar criando uma geração de fãs de wrestling. Isso é falso! O público para o qual a WWE está se virando tem apenas um (grande) atractivo: o faro consumista apurado e desenfreado. Um jovem ou uma criança irá importunar os pais até conseguir ir ao show que acontecerá na sua cidade, até que lhes seja comprada a T-Shirt do atleta favorito, até que seu desejo de ver tal PPV seja satisfeito e por aí vai.
Porém, se é verdade que o dinheiro que entra é farto (ao menos deve ser, pelo tanto que se aposta nessa faixa etária), também será verdade que o público jovem será o pior a se ter, pelo menos será o pior visto aos olhos de outros fãs já que seu senso crítico é praticamente inexistente, simplesmente come o que lhe oferecem, desde que o oferecido seja o que está na moda, e são os fãs mais infiéis que pode existir, justamente por seguir o que está na moda. Ora, vendo que o wrestling nos EUA pode não ser uma moda, é já um produto estabelecido há décadas, pode parecer que esse problema não existe o que, mais uma vez, é uma ideia errada. Caso não seja uma moda, é algo marcadamente voltado para os mais jovens ou os mais “atrasados”, coisa que os jovens adultos querem se desvencilhar a medida que vão crescendo de qualquer maneira. Obviamente a última frase não demonstra o que eu penso, mas sim a ideia que eu tenho dos que olham de fora para o wrestling.
Isto não é entretenimento, é uma rasca forma de prostituição.

E quais são os resultados dessa estratégia?
A começar pelas bancadas e pelas poltronas em casa, temos os ditos jovens e também os mal-amados adultos. São os tais “atrasados” que mesmo sendo em grande número são mal vistos pela maior parte dos investidores por considerar o público de baixo nível. Ora, sendo esse um problema associado ao wrestling há tanto tempo, esta reforma vem apenas agravar.
Seguindo para o wrestling as mudanças são óbvias. Aponto primeiramente para as Divas. O termo em si já demonstra o total desrespeito da companhia pelas atletas. Afinal, de “Divas” apenas esperamos mamas, pernas, rabos e belos rostos, nunca combates, nunca esperamos o que deveria ser o ponto funcral disso tudo, wrestling. O descompromisso é grave, a banalização do wrestling feminino está estampada na má utilização de Gail Kim, de Jillian, que quem viu em companhias independentes jura que tinha talento e o seu palmarés fala por si e nas recentes entrevistas da talentosa Victoria, a quem não chegou ter talento para contrariar a falta de olhos azuis. Deplorável atitude, banalização escandalosa.

Sigo para a defunta divisão cruiserweight, destruída numa ridícula consequência de uma possivelmente boa storyline estragada por azares que vivem rondando esta modalidade. Banalizaram o título, descredibilizaram-no até não poderem mais. Agora o cinto vive com crises existenciais debaixo de um ringue qualquer.
Passo ainda, a caminho da conclusão, pela constante perda de tempo com segmentos de baixa qualidade que apenas servem para manchar a imagem da modalidade. A antiga vertente de Charlie Haas em que imitava outros wrestlers era agradável se não fosse trágico ver um wrestler talentosos ser arrasado com aquela patetice, o que era engraçado de se ver no italiano da WWE atingiu os píncaros da estupidez e do mau senso com a história da Miss Wrestlemania, combate que foi uma nódoa terrível na história das wrestlemanias, a kiss cam do Khali, etc etc etc. Segmentos de qualidade duvidosa sempre existiram no wrestling, ultimamente eles acontecem é com frequência demais.
Para disfarçar ou ao menos para tentar suavizar essa sua reforma, ainda querendo agarrar os velhos fãs, a WWE fabrica PPV’s como o Extreme Rules ou o provável novo PPV em que todos os combates serão Hell in a Cell.
O problema é: como fazer num PPV exactamente o contrário a que a empresa se propõe como no caso do Extreme Rules? É impossível, é contraditório, é contra-producente. É impossível fazer um PPV com esse nome sem hardcore. É contraditório fazê-lo pois para o fazer com qualidade seria preciso, no mínimo, fazer uma pausa por um domingo na política da empresa. É contra-producente pois é a banalização tanto da reforma levada a cabo, como do nome do PPV, como do objectivo e importância dada ao mesmo. E, ao menos penso eu, expectativas defraudadas quanto a um PPV poderão levar a que não se comprem PPV’s num futuro próximo…
No caso do novo PPV o problema é maior. o Hell in a Cell não é um combate qualquer, é um combate especial, apenas indicado para determinadas feuds e que precisa de uma bela storyline por trás para que realmente valha alguma coisa. Ora, baseando-me na maneira como muitas das feuds têm sido conduzidas nos útlimos tempos, com capricho apenas em poucas delas, temo sinceramente que esta aposta seja um belo tiro n’água e que assistamos apenas a uma banalização de um gimmick match que é dos meus favoritos. É que se para construir combates apenas de jaula, como no Lockdown, a TNA já exagera, marcando combates que nunca deveriam lá figurar, como poderá a WWE, que não tem uma equipa criativa muito mais competente que a da TNA, conseguir fazer e desenvolver feuds de maneira que se encaixem no perfil de um tipo de combate tão específico como o Hell in a Cell? Tenham medo amigos, muito medo.
A reforma do wrestling na WWE está parecendo as reformas do Sócrates, ninguém sabe onde isso vai dar mas tudo mundo vê que já está dando m…
Assim como o futebol se tornou banal ao prostituir seus jogadores, a TV banalizando a violência, o cinema banalizando o sexo, a música banalizando o talento (por insistir em gente com boas mamas e minúsculo talento), a moda banalizando a beleza tornando-a em algo simplesmente fútil, a imprensa banalizando a informação com os boatos infundados, com as manobras políticas e com sua parte “cor-de-rosa” e como a política que banalizou tudo quanto é vigarice, também o wrestling (americano/WWE) se torna num produto banal e sem sal.
Assim vivemos, assim seguiremos. Esta é a forma encontrada para se adaptar aos novos tempos, é desta forma que deve ser, assim pensa o patrão. Quem não está bem, claro está, mude de canal.
– Olha, pai, anda ver o que está a dar na Spike TV!
– Só vou porque a patetice da stable do Shark Boy, do Super Eric e do Curry Man acabou. Vamos lá dar uma olhada nisto.
Até a próxima!

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